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Tecnologia

01/03/2019 às 08h37

Redacao

Teresina / PI

Pedófilos usam comentários para trocar informações sobre vídeos de crianças no YouTube.
Plataforma diz que está tomando ‘medidas agressivas’ para conter o problema.
Pedófilos usam comentários para trocar informações sobre vídeos de crianças no YouTube.

Plataforma diz que está tomando ‘medidas agressivas’ para conter o problema. Empresas como Disney e McDonald’s retiraram anúncios de vídeos após divulgação de polêmica. Denúncias afirmam que a configuração da rede facilitava o contato entre pedófilos e acesso a vídeos de crianças.



Reuters/Dado Ruvic
Uma polêmica explodiu sobre o YouTube durante esta semana. Em vídeo, um dos produtores de conteúdo da plataforma, Matt Watson, fez uma crítica ao YouTube e mostrou o que ele chamou de “falha” : uma rede de pedófilos utiliza termos como “girls bikini” para encontrar vídeos de crianças em roupas de banho, praticando esportes ou na praia.



Se, por si só, esse já um problema muito grave, ele de fato é ainda maior: esses usuários usavam o espaço de comentários para instruir as crianças e adolescentes na gravação de vídeos, mantinham contato uns com os outros, sinalizavam frames de vídeos em que havia maior exposição das crianças e até trocavam vídeos não listados nas buscas do YouTube.



De acordo com Watson, eles também baixavam os vídeos e faziam upload deles em seus próprios canais para evitar que fossem removidos pelos usuários originais.
No vídeo, Watson mostra que uma conta recém criada no YouTube pode chegar a alguns dos vídeos usados por esses pedófilos em questão de cinco cliques, pela maneira como a rede de vídeos recomenda conteúdo aos usuários. Para ele, o mais chocante é que alguns desses vídeos são monetizados e exibem propaganda. “Isso é exploração infantil”, disse.



Para provar seu ponto, Watson usa uma VPN para realizar uma nova conexão e uma conta nunca antes usada. Com alguns cliques, ele está em um vídeo de meninas pequenas de biquini, que tem quase 1 milhão de visualizações, com uma barra lateral de recomendação cheia de vídeos semelhantes.



Alguns dos vídeos que são recomendados para ele nesse momento têm títulos em português.
Vídeo em que o youtuber Matt Watson apresenta o problema, com comentários de pedófilos e recomendações de vídeos de crianças.



Reprodução
O problema gerou comoção nas empresas que fazem anúncios no Youtube. Nestlé, McDonald’s, Disney, Epic Games, AT&T e outras companhias retiraram seus anúncios da plataforma após a polêmica.



Watson afirma que ele não é o primeiro a falar disso e mostra algumas reportagens que já apontavam para um problema semelhante.



O que diz o YouTube
Uma porta-voz do YouTube no Brasil afirmou que a plataforma passou as últimas 48h tomando “medidas agressivas” para acabar com esse problema: mais de 400 contas foram deletadas nos últimos dias, milhares de vídeos removidos da plataforma e dezenas de milhões de comentários foram deletados.



“Fechamos os canais e reportamos todos esses comentários e material para as autoridades competentes nos Estados Unidos para que possam conduzir investigações nesse sentido. Temos um trabalho muito próximo das autoridades quando se trata desse assunto”, disse a porta voz ao G1.



Segundo o YouTube, os vídeos não são postados com esse contexto inicialmente e muitos deles mostram filhos das pessoas e crianças em atividades corriqueiras. “Nós tiramos esses vídeos do ar. Eles são postados de forma inocente e tirados de contexto”.
O YouTube também deixou claro que tem uma política restrita de idade e que não permite que crianças menores de 13 anos criem contas na plataforma. Essa medida é parte de uma determinação internacional chamada COPPA (Ato de Proteção Online à Criança, na sigla em inglês), que estabelece diretrizes para a proteção à vida privada das crianças na internet.



Leia a íntegra da nota divulgada pelo YouTube ao G1:


“Qualquer conteúdo — incluindo comentários — que coloque menores em perigo é repulsivo e temos políticas claras que proíbem isso no YouTube. Nós tomamos ações imediatas, removendo contas e canais, reportando atividades ilegais às autoridades e desabilitando comentários em dezenas de milhões de vídeos que incluem menores de idade. Ainda há mais a ser feito e continuamos a trabalhar para melhorar e identificar abusos mais rapidamente.”

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